O Poder do Feminino na Liderança da Cultura Popular Maranhense: História, Memória e Legado
Este é um projeto de pesquisa sobre comunidades tradicionais e ancestralidade africana – a posição da mulher e do feminino em religiosidades de matriz africana e cultura popular no Maranhão aonde eu entrevisto líderes comunitárias que fazem a diferença neste estado. É conduzido pelas Professoras Dra Marilande Martins Abreu, do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão e Simone Ferro do Departamento de Dança na Universidade do Wisconsin em Milwaukee nos Estados Unidos e tem apoio da Fulbright Brasil, UFMA, e UWM.
Este é um projeto de pesquisa sobre comunidades tradicionais e ancestralidade africana – a posição da mulher e do feminino em religiosidades de matriz africana e cultura popular no Maranhão aonde eu entrevisto líderes comunitárias que fazem a diferença neste estado. É conduzido pelas Professoras Dra Marilande Martins Abreu, do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão e Simone Ferro do Departamento de Dança na Universidade do Wisconsin em Milwaukee nos Estados Unidos e tem apoio da Fulbright Brasil, UFMA, e UWM.
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4 days ago
Mãe Roxa Podcast
4 days ago
4 days ago
32 min
Aqui é Simone Ferro e é com grande alegria que recebemos hoje Terezinha Brito de Oliveira, carinhosamente conhecida como Mãe Roxa, uma respeitada liderança espiritual de Bacabal, Maranhão. Nascida em Codó, no leste do Maranhão, em 15 de outubro de 1952, ela dedicou mais de cinquenta anos de sua vida à Umbanda e às tradições afro-brasileiras, tornando-se uma referência de fé, acolhimento e serviço à sua comunidade.
Casada com Antônio Pereira de Oliveira, com quem construiu uma vida de companheirismo e respeito mútuo, Mãe Roxa é mãe de três filhos. Ao longo de sua caminhada, conciliou sua dedicação à família com sua missão espiritual, transformando sua casa em um espaço de acolhimento, devoção e esperança para inúmeras pessoas.
Filha de uma família profundamente ligada ao mundo espiritual, iniciou sua trajetória religiosa aos dezessete anos de idade, quando decidiu abraçar o dom que, segundo ela, Deus lhe concedeu. Desde então, tornou-se zeladora da Casa de Santa Bárbara e de Jesus de Nazaré, preservando importantes tradições religiosas, conduzindo celebrações e orientando gerações de filhos e filhas de santo ao longo de sua trajetória.
Reconhecida por sua generosidade, sua sabedoria e seu compromisso com a caridade, Mãe Roxa representa uma liderança feminina que inspira pela força da fé, pela preservação das tradições afro-brasileiras e pelo amor ao próximo.
Hoje temos o privilégio de ouvir a história de vida de Terezinha Brito de Oliveira — Mãe Roxa — uma mulher que fez de sua missão espiritual um caminho de serviço à comunidade. Sejam todos muito bem-vindos a esta conversa com Mãe Roxa.
4 days ago
32 min

Jul 4, 2026
Heronita Campelo Mendonça Podcast
Jul 4, 2026
Jul 4, 2026
32 min
Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o grande prazer de entrevistar a artesã, artista, e extraordinária guardiã da criatividade e das tradições do bordado, Heronita Campelo Mendonça.
Dona Heronita nasceu em Viana, na Baixada Maranhense, em 25 de julho de 1942. Aos quatorze anos, começou a aprender a arte do bordado em máquina com a mestra Olívia Mendonça, reconhecida por ensinar o ofício a muitas jovens da comunidade. Dessa aprendizagem nasceu uma paixão que a transformou em uma das mais respeitadas bordadeiras da região.
Casada com Mário Mendonça, hoje falecido, D. Heronita construiu sua vida entre a família e a arte. Foi por meio do bordado que ajudou a criar seus dez filhos e, atualmente, é a orgulhosa matriarca de uma grande família formada por 32 netos e 17 bisnetos. Ao longo de décadas, produziu peças tradicionais, como couros de boi, indumentárias, chapéus e adornos para grupos culturais de Viana e de comunidades vizinhas.
Reconhecida por criar seus próprios desenhos a partir da memória e da imaginação, Dona Heronita é hoje uma das últimas bordadeiras de máquina de Viana. Com cada vez menos pessoas interessadas em aprender um ofício tão exigente e de alto custo, ela teme que essa importante tradição artesanal possa desaparecer em um futuro próximo. Sua trajetória é um testemunho da força da cultura popular e do papel das mulheres na preservação do patrimônio artístico do Maranhão.
Jul 4, 2026
32 min

May 19, 2026
Marcia Guajajara Podcast
May 19, 2026
May 19, 2026
48 min
Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho a grande alegria de entrevistar a educadora indígena, gestora escolar, líder comunitária e voz inspiradora na construção da educação em seu território, Márcia Regina Souza Guajajara.
Márcia Guajajara nasceu em 19 de novembro de 1976, na Terra Indígena Rio Pindaré, onde vive até hoje e de onde afirma não querer sair. Criada em comunidade, teve uma infância marcada pelo trabalho coletivo, pela convivência com a natureza e pelos aprendizados do cotidiano ao lado dos pais — entre a roça, o lago e as brincadeiras simples, em um tempo anterior às tecnologias atuais.
Mãe de cinco filhos e atualmente avó de oito netos, Márcia constituiu família ainda jovem, como é comum em muitas aldeias. É casada com Flauberth Rodrigues Sousa Guajajara. Após um período afastada dos estudos, retomou sua formação já adulta, enfrentando desafios como a distância e o acesso à educação fora da comunidade. Concluiu o ensino fundamental, formou-se no magistério e graduou-se em Pedagogia pela Faculdade de Ciências Wenceslau Braz (FACIBRA). Também possui especializações em Gestão Escolar, pela Faculdade Arthur Thomas, e em Educação Especial e Inclusiva, pela Faculdade Evangélica de Salvador (FACESA).
Sua trajetória profissional começou como auxiliar de turma e evoluiu para a docência, a presidência da associação de pais e mestres e, posteriormente, a gestão escolar. Márcia integra uma geração de educadores indígenas que contribuíram para fortalecer a educação nas comunidades após a atuação da FUNAI.
Sua história é marcada pela perseverança, pelo compromisso com sua comunidade e pelo desejo de aprender e ensinar, mantendo vivas as raízes culturais enquanto constrói novos caminhos na educação.
May 19, 2026
48 min

Nov 14, 2025
Rosa Tremembé Podcast
Nov 14, 2025
Nov 14, 2025
1 hr 14 min
Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o grande privilegio de entrevistar a ativista, líder comunitária e defensora dos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais, Rosa Tünycwyj Tremembé.
Rosa nasceu em Acaraú, no Ceará, filha e neta de cearenses do povo Tremembé — um povo indígena tradicionalmente andante, com forte presença no litoral do Nordeste, entre o Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão e até o Amazonas. Sua família sempre manteve vínculos com o Maranhão, especialmente nas regiões de Raposa e Cumbique.
Desde criança, Rosa vivenciou a luta do seu povo por território e dignidade. Seus pais migraram entre Ceará e Maranhão fugindo de conflitos fundiários e da seca, mantendo viva a tradição de resistência. Criada em ambiente simples, Rosa aprendeu com os pais e avós os costumes Tremembé: a alimentação tradicional, os remédios caseiros, os rituais do Torém e o valor da terra como espaço sagrado.
Em Fortaleza, viveu parte da juventude, estudou e trabalhou como professora. Foi também nesse período que se aproximou das Comunidades Eclesiais de Base e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). A partir dessa vivência, reencontrou suas origens e fortaleceu seu engajamento nas lutas pela visibilidade e pelos direitos dos povos indígenas. Inspirada em mulheres como sua avó Rosa e Chica da Lagoa Seca — guardiãs da memória e do Torém —, assumiu sua identidade com orgulho e coragem, transformando sua trajetória pessoal em um ato político e coletivo.
No Maranhão, Rosa consolidou seu compromisso com a causa Tremembé, participando da articulação de núcleos de apoio, da defesa territorial e da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão. Sua trajetória representa a força feminina e a resistência contínua de um povo que, apesar das perseguições e do silenciamento histórico, insiste em existir, falar e celebrar a vida em comunhão com a natureza.
Nov 14, 2025
1 hr 14 min

Sep 10, 2025
Celia Cantanhede Podcast
Sep 10, 2025
Sep 10, 2025
47 min
Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o grande prazer de entrevistar a empreendedora cultural, guardiã da cultural afro-maranhense e coreira, Celia Cantanhede.
Nascida em 16 de abril de 1960, na comunidade Beira de Campo, em Floresta (MA), Celia Cantanhede cresceu imersa na cultura popular maranhense, especialmente no Tambor de Crioula. Desde a infância, acompanhava as festas de pagamento de promessa organizadas por seu pai, devoto de São Benedito, e logo o Tambor de Crioula e o Forró de Caixa passaram a fazer parte do seu sangue e identidade.
Na vida adulta, viveu por mais de 20 anos em Brasília, onde se distanciou das raízes culturais. No entanto, ao retornar ao Maranhão, redescobriu sua paixão e compromisso com a cultura popular. Em 2004, já morando na cidade de Central do Maranhão, fundou com outros parceiros uma associação cultural dedicada ao resgate e à valorização das manifestações tradicionais da região, como o Tambor de Crioula, o Forró de Baixa e o Bumba Meu Boi.
Em 2005, criou o Grupo de Tambor de Crioula Raiz Africana, um dos pioneiros do município com estrutura para apresentações formais. Desde então, segue à frente do grupo, trabalhando incansavelmente para preservar, ensinar e difundir o Tambor de Crioula nas comunidades do interior maranhense, onde essa expressão cultural corre o risco de desaparecer com o passar das gerações.
Com mais de 60 anos, Dona Celia continua sendo uma guardiã incansável da cultura afro-maranhense, mantendo viva a herança que recebeu na infância e lutando para que as futuras gerações também possam reconhecê-la como parte fundamental de sua identidade.
Sep 10, 2025
47 min

Feb 24, 2025
Maria de Jesus Conçeição Podcast
Feb 24, 2025
Feb 24, 2025
49 min
Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o prazer de entrevistar a líder comunitária Maria de Jesus Conceição.
Nascida no dia 9 de maio de 1965 em São Luis, Maria é técnica de enfermagem, faz parte da guarda municipal de São Luís e é filha-de-santo do Terreiro Pedra de Encantaria, do Pai José Itaparandi, localizado no bairro do Maiobão, na grande São Luís.
Maria nasceu e cresceu no ambiente do terreiro, pois a sua avó paterna, Margarida Mota, tinha um terreiro que ficava no Lira, atrás do cemitério do Gavião, e sua mãe era filha de santo de Mãe Mundica da Vila Passos. Crescendo em Terreiros de Mina, ela conviveu desde cedo com José Itaparandi que no futuro se tornaria filho de Santo de Mãe Mundica.
A sua mediunidade começou cedo, quando aos 13 anos caiu no santo. No entanto a sua mãe não queria que a filha fosse iniciada na Mina, uma vez que queria priorizar os estudos da filha. Foi desta forma que ela conseguiu que suspendessem a corrente de Maria até que ela completasse 18 anos. E assim foi.
Continuando a sua vida acadêmica, Maria se graduou como Bacharel em Contabilidade pela UEMA, agregando uma Licenciatura em Matemática pela FACAM, o que permitiu que ela tivesse a oportunidade de trabalhar em diversas escolas. Além disso, ela obteve nível técnico em enfermagem e, em 1991, ela passou para a Guarda Municipal de São Luís.
Após a inauguração da Casa da Mulher Brasileira em 2017, localizada no bairro do Jaracaty em São Luís, Maria foi selecionada para trabalhar na Delegacia Especial da Mulher, onde até hoje ajuda mulheres que sofrem violência domestica através de medidas protetivas e colabora com diversos programas elaborados com o intuito de promover o empoderamento das mulheres.
Naquele mesmo ano, Maria se tornou filha do terreiro Pedra de Encantaria, e continuou o seu aprimoramento espiritual como filha de santo de Pai Itaparandi. Em 2020, ela foi iniciada no seu santo.
A trajetória de Maria, como mulher preta dedicada à espiritualidade e também ao bem-estar das inúmeras mulheres com quem ela interage diariamente, fazem dela uma pessoa altruísta cujas ações traduzem valores humanos, respeito e solidariedade para com o próximo. Bem-vinda Maria.
Feb 24, 2025
49 min

Sep 30, 2024
D. Dozinha dos Santos Pires Podcast
Sep 30, 2024
Sep 30, 2024
1 hr 15 min
Aqui é Simone Ferro e em março de 2022 eu tive o grande prazer de entrevistar a D. Maria das Dores dos Santos Pires mais conhecida como D. Dozinha.
Nascida no dia 5 de maio de 1930 em Cururupu, Maranhão, D. Dozinha foi filha de santo de Mãe Mundica da Villa Passo, que era filha de santo do Terreiro do Justino, conhecido como Terreiro de São Benedito, localizado na Vila Embratel em São Luís, terreio do qual fez parte até a sua morte em junho de 2022. Dona Dozinha, foi chefe espiritual da Casa Fé, Caridade e Esperança, localizada no Rio Grande, bairro da zona rural de São Luís. Sempre muito respeitada e admirada por todos, D. Dozinha ocupou durante muitos anos um papel de liderança no seu bairro, coordenou aulas para crianças carentes da região, realizou sessões astrais, toque de mina e Festa do Divino. Fundou também o Bumba Meu Boi Vencedor do Rio Grande.
Esta entrevista foi conduzida três meses antes da sua morte, o que para todos nós foi muito prematura.
Sep 30, 2024
1 hr 15 min

Feb 14, 2024
D. Jovina Silva Gomes Podcast
Feb 14, 2024
Feb 14, 2024
59 min
Aqui é Simone Ferro e hoje eu tenho o grande prazer de estar entrevistando a líder comunitária, produtora cultural e ativista D. Jovina Silva Gomes.
Nascida no Quilombo do Frechal, localizado na Baixada Maranhense, num sábado de Carnaval, no dia 8 de fevereiro de 1939, D. Jovina cresceu em um ambiente de festas, mas também em um mundo de desigualdades. Lavradora, trabalhadora rural e mãe de família, ela se tornou líder de sua comunidade ao vivenciar injustiças sociais. Com o passar dos anos, se tornou ativista pelas causas do reconhecimento das terras dos povos originários.
Acreditando na legitimidade do processo de reconhecimento latifundiário, ela foi responsável pela organização da primeira reunião do Frechal como quilombo reconhecido com o decreto promulgado em maio de 1994. Desde então, ela trabalha para o reconhecimento dos direitos da terra e pela preservação e compartilhamento das festas e tradições populares presentes na comunidade do Frechal durante o ano.
Feb 14, 2024
59 min

